Não existe mais Edward Dement
Edward Dement poeta não tem público
nem pudor
A consagração não virá
Ainda que tardia
Para que então embriagar-se
de café e cigarro?
Tédio...
Travar duelos intermináveis
com Eros e Tanatos?
Musas sem blusa
emboloradas insensíveis
bloqueadas imediatas primatas abstratas
Ratos acordados, arrotos, fórmulas
compêndios
a caminhar por ruas escuras e desertas
...A navegar como um tolo no Tempo
No topo do Nada, na mola da moda
acertando o relógio
Atrasando o significado real das coisas
O tempo...
Não há tempo!
Eu piso no tempo com meus pés de elefante
Romantismo, ilusão bastarda
putrefação de órgãos
orgias sexuais
versos escrotos
escroto inflamado
ira, ideias, amantes
personagens antipáticos incompreendidos psicóticos
Flores mares naves drogas cocas planetas
Amigos babacas, cascatas lisérgicas, caretas
a navegar na água contaminada de esgoto
na cidade iluminada
na cidade iluminada
Não não existe mais
Edward o inconsequente
Aquele Edward só pó duende demente
necrófilo, urbano
banal banal banal
Como um personagem atemporal
Não estou emaranhado em seu peito?
...Então não tenho razão de ser
Não quero mais ser poeta
Ou melhor, escritor
...Ser poeta é sentir dor
de parto, de gozo
trancado no banheiro
enquanto lá fora rola a festa
Vou embora (não no espaço)
Vou rodar (não em torno de mim)
Acordar em outro mundo
Alto astral
arestas
astrologia mitos micros K7
Som é Somrisal risada só isso
O primeiro riso espontâneo
O primeiro olhar
A primeira masturbação
nas cordas afinadas
de um instrumento musical
Saturado, endiabrado, ébrio
sentindo dores no crânio
curtindo trancado os ruídos urbanos
...Talvez em outra língua
eu também diga que te ame
que és minha musa
Musa abstrata semifusa
de lá a Sol
...Que ninguém a roube de mim novamente
...Que ninguém nos reconheça
...Que ninguém nos reconheça
